sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Enquanto isso, no RJ...

Eu já aprendi a gostar do Rio de Janeiro. Não poderia ser de outro jeito, senão eu já teria morrido de agonia. Sigo tranquilamente por aqui, na minha doce rotina de responsabilidades, de trabalho/estudos, dia após dia. Nos finais de semana, até tento dar uma enganada: são as festinhas noturnas, os bares, os encontros casuais, as andanças diurnas sem rumo cidade afora, os jogos do Grêmio com a gurizada. Tudo no doce e suave fluxo contínuo da rotina. Nada tenho a reclamar. Encaro o cotidiano numa boa e ainda consigo pagar o aluguel e me afastar de riscos emocionais.


Entretanto, ultimamente pareço estar pressentindo, lá no fundo, uma estranha sensação de "náusea" nisso tudo. A impressão é de que estou, aos poucos, me exaurindo devido a essa estabilidade toda, a essa ociosidade implacável deste meu cotidiano cheio de privações. Isso acaba por me forçar a pensar no que eu poderia fazer se não estivesse aqui, preso a essas amarras do cotidiano, do meio social.


Invariavelmente, penso em viajar. Dizem que novas experiências, novos ares e novos ambientes são tudo para o espírito do homem. Que legal. Deve ser. Talvez eu faça isso mesmo, viajar.


Ou não. Talvez tudo isso seja apenas mais uma confabulação sem sentido da minha perturbada cabeça; uma manifestação indireta de minhas ansiedades; talvez eu apenas esteja tentando novamente enganar a mim mesmo, pois já aceitei que minha vida é isso aqui mesmo, que nada precisa mudar, e me é muito confortável que as coisas continuem exatamente como estão, pois eu não preciso de muito mais do que isso.


Então, muito bem. Após mais essa 'expansividade', agora vou só colocar uma música agradável aqui, abrir uma cerveja e me tranquilizar novamente, a fim livrar minha cabeça de qualquer expectativa inútil. Mas vai chegar um momento em que minhas férias vão se tornar compulsórias, e daí... bom, daí talvez eu reveja aquela questão da viagem.

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