quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nós, os vivos.

Nada mais humano do que acordar de manhã com uma puta ressaca, talvez mais moral do que alcoólica, fruto de uma noite regada a álcool, vícios e transgressões. E o melhor: acordar sabendo que ela (a noite anterior) não significou absolutamente nada. E rir sozinho disso.

Sempre tive medo de pessoas certinhas demais, puras demais, politicamente corretas demais. Tipo os fascistas da saúde: marombeiros, antitabagistas compulsivos ou vegetarianos imponentes. Tem também os crentes/ateus militantes, defensores ferrenhos de animais, amantes da natureza, ativistas de ONG’s, workaholics, emos, intelectuais/artistas arrogantes. Sei lá, nessa linha. Não estou dizendo que é errado as pessoas serem assim. O que é errado é elas andarem por aí se achando "moralmente superiores" que o resto do rebanho só por causa disso. Uma boa ressaca deve curar qualquer dessas vaidades toscas.

Porque no fundo somos todos iguais: seres efêmeros e insignificantes diante da ordem indiferente do mundo, com nossos vícios, medos, defeitos, obsessões, fraquezas, inseguranças. E não adianta se esconder na academia, ou atrás da tela do computador, da planilha eletrônica, de um prato de rúculas, de um livro da Ayn Rand ou de qualquer outra postura pseudo-moralista do tipo.

Mas pra não dizer que só jogo no time “podre”, todos nós temos também nossas virtudes, nossa capacidade de amar, de se apaixonar, de perdoar, de apreciar uma boa música, de demonstrar um honesto altruísmo, coragem, ética. E tal. Todas as maravilhas da condição humana, demasiada humana.

Mas insisto na idéia que o que nos define mesmo são basicamente nossos vícios, não nossas virtudes. Por quê? Ah, talvez porque somos espécies dominadas mais pela vontade do que pela razão. Quem fala o contrário, mente. Dostoievski que dizia que “a vontade é a expressão da totalidade da vida, enquanto a razão satisfaz apenas nossa capacidade de raciocinar, nada mais.” Bom, nossos vícios são reflexos de nossas vontades. Nossas virtudes, reflexos de nossa razão. Eu acho que é mais ou menos por aí.

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